sábado, 20 de outubro de 2012

Grosso modo



Como música é o poetizar.
E quem disse que musicalidade tenho?!

Escrever versos demanda forma.

Sílabas, fonemas a contar,
Mas, de começo, nisso não me detenho.

Só anseio por me expressar.
Quão solene é o que urge?

Sonetos, datílicos, dísticos!

Posso os confundir pra rimar,
Inconfundível é o que transcrito ruge.

Perco-me também em mim,
E o que me permito externar.

Medo, disfarce, fuga...

Ao me enclausurar como um pangolim,
Protejo-me do que não quero atacar.

Não é apenas penoso,
Custou-me pouco notar que é frustrante,

Sardônico, insociável. Insaciável.


Em minha volta noto os rostos,
Nenhum se demonstra empolgante.

Prendo-me ao que parece inútil.
Sei que muito não só o parece.

Vários sofismas, lógicas...

Não parecer fútil?
Sou-lo. Também sou o que aquece.

O poema exige sentimentos,
Tenho. No papel se-lo nota.

Revolta, amor. Existe?

Não sei quais são fomentos,
Não sei quais são derrota.

O que vivemos nos molda.
Há o que se quer e não viveu.

Conquistas e perdas são gêmeas.

Também há o que dentro não solda.
Esquecer e não lembrar que esqueceu.