Como música é o poetizar.
E quem disse que musicalidade tenho?!
Escrever versos demanda forma.
Sílabas, fonemas a contar,
Mas, de começo, nisso não me detenho.
Só anseio por me expressar.
Quão solene é o que urge?
Sonetos, datílicos, dísticos!
Posso os confundir pra rimar,
Inconfundível é o que transcrito ruge.
Perco-me também em mim,
E o que me permito externar.
Medo, disfarce, fuga...
Ao me enclausurar como um pangolim,
Protejo-me do que não quero atacar.
Não é apenas penoso,
Custou-me pouco notar que é frustrante,
Sardônico, insociável. Insaciável.
Em minha volta noto os rostos,
Nenhum se demonstra empolgante.
Prendo-me ao que parece inútil.
Sei que muito não só o parece.
Vários sofismas, lógicas...
Não parecer fútil?
Sou-lo. Também sou o que aquece.
O poema exige sentimentos,
Tenho. No papel se-lo nota.
Revolta, amor. Existe?
Não sei quais são fomentos,
Não sei quais são derrota.
O que vivemos nos molda.
Há o que se quer e não viveu.
Conquistas e perdas são gêmeas.
Também há o que dentro não solda.
Esquecer e não lembrar que esqueceu.